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Poetica

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto espediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor.

Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.

Abaixo os puristas.
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.

De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare.

- Não quero saber do lirismo que não é libertação.

Notes

You can read the translation to English here
http://oldpoetry.com/opoem/show/117786-Manuel-Bandeira-Poetica--English-

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Comments


  • Mari Goes
    March 18, 2008

    Edit | Reply
    This is one of my favourite poems written by Bandeira.
    Such a great poetic vision.
    Thanks for adding this wonderful poet here.


    • Yemassee
      March 19, 2008
      Edit | Reply
      Thanks for telling me the gist of what this poem is about. Now go write me a translation of it!

      Thanks Mariza!


      • Mari Goes
        March 24, 2008
        Edit | Reply
        I wish I could translate it keeping its very essence.